O projecto

 

O projecto “Intercultural Literature in Portugal 1930-2000: A Critical Bibliography”  tem como objectivo contribuir para os Estudos de Tradução em Portugal, preenchendo o período não coberto pela obra seminal de A. A. Gonçalves Rodrigues A Tradução em Portugal, cujos cinco volumes abrangem as traduções publicadas em Portugal entre 1495 e 1930.
Idealizado pelo CECC em 2007, o projecto foi concretizado sob a coordenação científica de Teresa Seruya (CECC), Alexandra Assis Rosa (CEAUL/ULICES) e Maria Lin Moniz (CECC), e agrega desde 2009 uma equipa pertencente a dois centros de investigação portugueses: o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, da Universidade Católica Portuguesa (CECC) e o Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (CEAUL/ULICES-UL). 
Acessível desde 2010, esta base de dados reúne cerca de 15.700 registos de traduções de obras literárias em língua estrangeira publicadas em volume em Portugal desde 1930 até 1974.

Resumidamente, este projecto envolveu a criação de uma base de dados, disponibilizando referências bibliográficas de traduções de obras literárias publicadas em volume em Portugal entre 1930 e 2000, independentemente da língua de partida.  A publicação em volume e CD-ROM, inicialmente planeada, depressa foi substituída pelo seu lançamento em 2010 como base de dados online e de acesso livre. Nas suas várias etapas e desde o seu início em 2009 este projecto de investigação envolveu:

  1. uma reflexão inicial sobre os conceitos de tradução e de literatura;
  2. a identificação de informações relevantes para um investigador em Estudos de Tradução, de modo a criar uma matriz de dados a incluir em cada registo;
  3. a identificação de fontes de referências bibliográficas para obras de partida e de traduções;
  4. a identificação de uma metodologia a seguir por todos os investigadores do projecto, de modo a garantir a uniformização dos dados;
  5. a criação de uma lista inicial de textos literários traduzidos para português e publicados em volume em Portugal, entre 1930 e 1974;
  6. a localização e verificação de cada volume para garantir a confirmação e/ou correcção e/ou adição de dados;
  7. a revisão dos registos;
  8. a criação de um website  para disponibilização online da base de dados;
  9. a disponibilização da base de dados online; e
  10. a sua actualização periódica com novos dados.

Principais metas:

 Dezembro 2010: Lançamento da base de dados online, disponibilizando cerca de 4.450 registos relativos a 1930-1955

 Novembro 2012: Adição de novos dados, disponibilizando cerca de 13.870 registos relativos a 1930-1965

 Maio 2015: Adição de novos dados, disponibilizando 15.730 registos relativos a 1930-1974


Metas futuras:

 2015-2017: investigação para criação de registos cobrindo o período 1975-1986, desde a Revolução de Abril até à entrada de Portugal na então CEE, actual União Europeia, UE.

 2018-2020: investigação para criação de registos cobrindo o período 1987-2000.

Uma bibliografia crítica é um instrumento de trabalho básico que, embora nunca definitivo, pode estimular os estudos mais aprofundados e sistemáticos de que a história da tradução em Portugal necessita. Este projecto pretende ainda ser um contributo para um trabalho de memória sobre o Estado Novo, no sentido de evitar o esquecimento irreversível de uma parte substancial da história cultural da ditadura portuguesa e das décadas que se lhe seguiram. A tradução sempre constituiu uma parte significativa da cultura literária no nosso país, conquanto nem sempre reconhecida e interiorizada. Pretende-se que a presente bibliografia funcione como um lugar de memória que o registe de forma não casuística. As traduções de literatura encontradas passarão, então, a integrar um todo, ainda que in progress, adquirindo assim um novo estatuto: por um lado, documento de uma determinada realidade – a da forte presença das culturas estrangeiras na textualidade nacional, por outro a sua constituição como fonte para um leque variado de pesquisas.

Os elementos que constituem o corpus a bibliografar – as traduções de literatura – são tudo menos inequívocos. Por outras palavras, a tradução é um objecto verdadeiramente problemático, que carece de definição consensual. Mantendo-nos apenas no campo da tradução de literatura, verifica-se a existência, entre outros, de “versões”, “versões livres”, “adaptações”, etc., a que devemos acrescentar a modalidade muito comum entre nós da tradução indirecta e, sobretudo, da pseudotradução, ou seja, daqueles textos que são apresentados e consumidos como traduções, não tendo atrás de si nenhum original (também conhecidos como traduções fictícias). Em geral este projecto de investigação, inspirando-se nos trabalhos de Gideon Toury, funciona com o conceito de “traduções alegadas” (“assumed translations”), isto é, considera traduções de literatura aquelas obras que foram introduzidas no mercado português como traduções e assim foram consumidas pelos leitores. Mas incluímos apenas as traduções publicadas em livro (isto é, excluímos as surgidas em periódicos e não considerámos textos para representações teatrais não publicados em livro).

Quanto ao que se deve aqui entender por literatura, operamos com um conceito funcional, e não ontológico, de literatura: literatura é tudo aquilo que os seus leitores consideraram como tal. Ou seja, há uma nítida convergência entre a proposta de Toury para a definição do objecto tradução e uma concepção funcional de literatura. Porque não falar em “literatura alegada”? De facto, o léxico especializado dos Estudos Literários já prevê que se fale em “literatura policial” ou “literatura de ficção científica”, “romance de capa e espada”, “romance de aventuras”, “literatura de cordel”, etc., sinalizando o facto de que a substância do produto é a literatura – o que subsiste, de resto, na designação genérica de “paraliteratura”.

As principais fontes consultadas foram as seguintes:

  • a PORBASE,
  • o Boletim de Bibliografia Portuguesa (cujo primeiro volume saiu em 1937, sobre o ano de 1935),
  • o Index Translationum (da responsabilidade da UNESCO),
  • alguma imprensa periódica (como O Século, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, Jornal de Notícias, Primeiro de Janeiro, Comércio do Porto),
  • algumas revistas (como Seara Nova, O Diabo, Vértice, O Pensamento, Brotéria, Portucale, Biblos, Ocidente)
  • o Dicionário de Pseudónimos e Iniciais de escritores portugueses,de Adriano da Guerra Andrade (1999),
  • o Dicionário de Pseudónimos, compilado por Albino Lapa e Maria Teresa Vidigal (1980),
  • o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses,
  • e ainda alfarrabistas vários e bibliotecas particulares.

Para a identificação dos textos de partida recorremos às bibliotecas de referência para as literaturas estrangeiras mais representadas:

Todos os exemplares de traduções correspondentes aos registos desta base de dados foram consultados fisicamente, sendo eles a fonte que considerámos decisiva para o conjunto dos dados fornecidos (por exemplo, no que respeita a datas ou títulos). Acrescente-se ainda que, sempre que possível, indicamos separadamente todas as edições das obras, já que uma nova edição é uma novidade no mercado, e como tal tem de ser contabilizada, entre outros, para efeitos estatísticos.

Quanto à composição de cada registo, ponderámos tanto os possíveis/prováveis interesses do futuro utilizador de uma base sobre traduções, como os requisitos objectivos de uma “bibliografia selectiva”, ou seja, que apresenta “referências bibliográficas de documentos referentes a um assunto muito específico”, nas palavras de Isabel Faria e Ana Gonçalves (1992). Optámos, assim, por uma divisão básica entre informações sobre o texto de chegada (a tradução), a figurar, evidentemente, em primeiro lugar, e informações sobre o texto de partida (o chamado “original”). Quando este não é o texto de partida da tradução, remetemos para as “Observações” e/ou para a coluna da “Língua de mediação”.

Os campos que a base de dados integra para o texto de chegada são:

  • ano de publicação,
  • título da tradução,
  • tradutor (nome ou pseudónimo),
  • pseudónimo de (nome do tradutor real),
  • local de publicação,
  • editora,
  • colecção,
  • designação do texto,
  • língua de mediação (a fonte seguida é o ‘Standard Code of Languages’) e
  • modo literário;
Os campos que a base de dados inclui para o texto de partida são:
  • data de publicação,
  • título (quando acompanhado de asterisco (*) significa que vem referido na tradução portuguesa),
  • autor (nome ou pseudónimo),
  • pseudónimo de (nome real do autor),
  • local de publicação,
  • local de edição (registado na língua original)
  • editora,
  • país (a fonte seguida para as respectivas siglas é a ‘United Nations Statistics Division’) e
  • língua (a fonte seguida é o ‘Standard Code of Languages’).

A data de publicação do texto de partida que se indica é a do volume mais antigo encontrado para consulta nas respectivas bibliotecas nacionais.
Um espaço para observações muito variadas figura no final.


Bibliografia:
Entre vários artigos de investigação já publicados, os seguintes descrevem o processo de criação do projecto de investigação e a constituição da base de dados e evidenciam ainda algumas potencialidades desta nova ferramenta para o estudo da tradução literária em Portugal:

Seruya, Teresa. 2015. “The Project of a Critical Bibliography of Translated Literature and its Relevance for Translation Studies in Portugal.” Translation Studies in Portugal. A Tribute to João Ferreira Duarte. Ed. by Marta Pacheco Pinto, Rita Bueno Maia and Sara Ramos Pinto. Cambridge Scholars Press.

Rosa, Alexandra Assis. 2012. "A Long and Winding Road: Mapping Translated Literature in 20th-Century Portugal.New Directions in Translation Studies, Special issue of Anglo-Saxónica. 3:3. Ed. by Anthony Pym and Alexandra Assis Rosa.  205-227.

Seruya, Teresa. 2009. “Introdução a uma bibliografia crítica da tradução de literatura em Portugal durante o Estado Novo”, in: Traduzir em Portugal durante o Estado Novo, Actas do V Colóquio de Estudos de Tradução em Portugal, org. Teresa Seruya, Maria Lin Moniz e Alexandra Assis Rosa. Lisboa: Universidade Católica Editora. 69-86.

Seruya, Teresa.  2007. “Notes for a cartography of literary translation history in Portugal” (together with M. Anacleto, M. dos Anjos Guincho, Dionísio Soler. M.Lin Moniz and Alexandra Lopes), in: Doubts and Directions in Translation Studies, ed. by Yves Gambier, Miriam Shlesinger and Radegundis Stolze, Amsterdam: John Benjamins . 59-71.

Estrutura da Equipa:

Coordenação Científica: Teresa Seruya (CECC e FLUL), Alexandra Assis Rosa (CEAUL/ULICES, FLUL), Maria Lin Moniz (CECC)
Coordenação Técnica: Maria Lin Moniz
Revisão de Dados: Maria Lin Moniz (Coordenação), Hanna Pieta, Rita Bueno Maia
Webmaster: Rui Nascimento
Design gráfico: João Casaca


Equipa
Investigadores

  • Alexandra Assis Rosa (CEAUL/ULICES)
  • Ana Filipa Vieira (CEAUL/ULICES)
  • Catarina Xavier (CEAUL/ULICES)
  • Hanna Marta Pieta (CEAUL/ULICES)
  • João de Almeida Flor (CEAUL/ULICES)
  • Karen Bennett (CEAUL/ULICES)
  • Maria Alexandra Ambrósio Lopes (CECC)
  • Maria Lin de Souza Moniz (CECC)
  • Maria Lúcia Ayres d’Abreu (CEAUL/ULICES)
  • Rita Bueno Maia (CEAUL/ULICES)
  • Rita Queiroz de Barros (CEAUL/ULICES)
  • Susana Valdez (CEAUL/ULICES)
  • Teresa Maria Menano Seruya (CECC)
  • Zsófia Gombár (CEAUL/ULICES)


Colaboradores

  • Alexandre Dias Pinto (CECC)
  • Ana Cristina Gaspar (CEAUL/ULICES até 2012)
  • Ana Filipa Oliveira (CEAUL/ULICES até 2013)
  • Carlota Miranda (CECC)
  • Lili Cavalheiro (CEAUL/ULICES até 2012)
  • Maria dos Anjos Guincho (CECC)
  • Nadia Gilardi (CECC)
  • Pedro Martins (CEAUL/ULICES até 2013)
  • Raquel Mouta (CEAUL/ULICES até 2012)


Colaboradores pontuais

  • Ana Filipa Cerqueira (CEAUL/ULICES)
  • Ana Luísa Dias (CEAUL/ULICES)
  • Ana Luísa Valdeira da Silva (CEAUL/ULICES)
  • Ana Luísa Teixeira (CECC)
  • Elena Sottilotta, Univ. Roma Tre (CEAUL/ULICES)
  • Helena Sabina Almeida (CEAUL/ULICES)
  • Iolanda Zorro (CEAUL/ULICES)
  • Isabel Maria Ferro Mealha (CEAUL/ULICES)
  • Leonor Perdigão (CECC)
  • Luzia Prates (CECC)
  • Maria da Anunciação Ferreira (CECC)
  • Maria Eduarda Melo Cabrita (CEAUL/ULICES)
  • Maria Jacinta Magalhães (CEAUL/ULICES)
  • Nance H. Dhirajlal (CEAUL/ULICES)
  • Paula Gonçalves (CECC)
  • Rosário Jordão (CECC)
  • Verena Lindemann (CECC)


Voluntários

  • Ana Lúcia Claudino (CEAUL/ULICES)
  • Ana Rita Vaz Gordo (CEAUL/ULICES em 2015)
  • Ana Sofia Oliveira (CEAUL/ULICES)
  • André Mâncio Alves Pereira (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Carolina Marques (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Catarina Neves (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Catarina Pinto (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Diana Simões (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Diogo Tellechea (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Inês Bernardo (CEAUL/ULICES)
  • Inês Paiva Couceiro (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Joana Figueiras (CEAUL/ULICES)
  • Joana Silva (CEAUL/ULICES)
  • Marcos Cravinho (CEAUL/ULICES)
  • Maria Inês Almeida (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Maria Joana Futre (CEAUL/ULICES a partir de 2015)
  • Maria João Costa (CEAUL/ULICES)
  • Renata Azevedo (CEAUL/ULICES)


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